Stress e a psicologia

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Stress e a psicologia

Se tem uma frase que eu não passo um dia sem ouvir é: “Tô estressado”.
Estresse pode ser entendido como esgotamento percebido quando há sobrecarga física ou mental.

Quando estamos cansados fisicamente temos a opção do descanso para nos recuperarmos, um período de férias pode restabelecer as energias ou conforme a necessidade até mesmo uma boa noite de sono nos coloca bem novamente. Mas este mesmo procedimento pode não causar o mesmo efeito quando se trata do estresse causados por eventos desgastantes ou traumáticos.

Há muitos fatores que podem sobrecarregar como por exemplo perder um ente querido, desentendimento no relacionamento, ser pressionado pelo chefe, etc.
O interessante é que o fato de ter muitas coisas para resolver, muitos problemas acontecendo, nem sempre significa estresse, tudo depende da forma como a pessoa está lidando com os problemas e não necessariamente com a quantidade ou tipo de problemas.

Pode haver pessoas, ou momentos, onde o acumulo de tarefas ou eventos tidos como traumáticos não causam estresse.
A pergunta é: Porque algumas pessoas enfrentam essas mesmas coisas de forma tão tranquila e outras se acabam nos “contratempos da existência cotidiana”. Alguns perde o pai, ou a mãe, ou alguém muito querido e consegue passar pela situação, claro que com dor, luto, mas consegue levar sua vida, não significa que a pessoa não gostava desse pai ou mãe, mas consegue superar. Alguns vive com a agenda lotada 14 horas por dia de obrigações, coisas pra fazer, trabalho e responsabilidades, e ainda assim estão bem.

Algumas pessoas tem boa capacidade de enfrentamento enquanto que outras se estressam em demasia, ou num dado momento tem boa capacidade de enfrentamento e em outro momento já vai tudo por água abaixo.

Algumas vezes a fonte de estresse pode não ser percebida. A pessoa sente-se estressada mas ao observar os eventos não identifica nada que poderia justificar tamanho cansaço. Nestes casos pode ser interessante fazer uma avaliação mais profunda pois pode haver situações onde o significado seja muito maior do que se percebe superficialmente. Por exemplo, uma simples recusa da solicitação de um favor pode acessar eventos antigos onde esta pessoa se sentiu fortemente rejeitada por outras pessoas significativas, mas seria possível que esta lembrança ocorra apenas ao nível das emoções e não do evento em si, dificultando a elaboração do fato e a possível superação e enfrentamento deste estresse.

Enfrentar significa usar uma das três saídas:
1ª superar o problema
2ª reduzir o problema
3ª tolerar o problema.

Ex: Vamos imaginar uma pessoa com problemas no casamento onde não consegue resolver as questões discordantes, não consegue sair do relacionamento e seria impossível aprender a conviver com ele. Chegamos ao estresse.

Estratégias de enfrentamento
Estratégias de enfrentamento são os caminhos para sair do estresse.
Algumas vezes as pessoas podem tentar estratégias que causam mais problemas, por exemplo a pessoa que está com problemas financeiros e considera relaxante frequentar o bar todas as noites, ou a pessoa que passa a ingerir alimentos compulsivamente quando tem problemas, ou aquele que pede demissão impulsivamente. Ou seja, existe um esforço de enfrentamento, ele está tentando, mas pode causar outros problemas agravando o quadro geral.

Um exemplo de enfrentamento centrado no problema: Um cuidador - Pode não haver muitas coisas mais estressante do que ser cuidador, tem que estar disponível quase que 24h por dia, tem que supervisionar medicação, se o doente for um idoso então tudo fica mais sensível. Pode-se enfrentar esta situação procurando aconselhamento de um médico, ler matérias sobre aquela doença, participar de grupos de apoio para conhecer outras pessoas com o mesmo problema para aprender com elas, etc. Esses esforços podem reduzir e ajudar a superar a pressão de cuidar dessa pessoa doente.

Um exemplo de enfrentamento centrado na emoção: Imagine uma pessoa que acabou de saber que seu marido, ou esposa, vai entrar com pedido de divorcio. Pode ocorrer uma enorme sensação de perda, talvez culpa pelo fracasso do casamento, incerteza e confusão com relação ao seu futuro, sensação de prejuízo, orgulho ferido, etc. É necessário uma ação na tentativa do alivio dessa dor emocional.

No enfrentamento centrado no problema procura-se soluções práticas para lidar com o problema, e o enfrentamento centrado na emoção tratamos dos sentimentos. Claro que às vezes se faz necessário os dois tipos de enfrentamento para mesma questão, como por exemplo no caso do divórcio ainda é interessante também tomar providencias práticas como procurar um advogado, isso também é enfrentamento do estresse.

Alguns recursos podem ajudar a enfrentar
Recursos pessoais significa senso de auto-eficácia, ser mais otimista, boa percepção de controle e auto-estima.
Recursos sociais significa ter amigos, família, um bom trabalho onde pode se apoiar ou sistema público de ajuda como assistência social ou outro.
Recursos físicos significa estar bem de saúde e com condições físicas de lidar com o problema.

Vamos falar dos recursos pessoais porque é desta área que a psicologia trata.
1º Senso de auto-eficácia. Esse termo, auto-eficácia significa que você acredita em você, você crê que você tem condições de enfrentar ou resolver o tal problema. O senso de auto-eficácia pode ser adquirido naturalmente com a vida, ou seja, os sucessos que você teve no passado te ajuda a acreditar, e perceber, que poderá se sair bem nas próximas situações problemáticas da vida.

Quando a pessoa já fracassou em algum outro momento da vida, ela tende a considerar que suas novas tentativas também vão dar em fracasso, o que não é verdade necessariamente, mas por não se acreditar ela nem tenta resolver o problema, aí o problema cresce, e pronto! Virou uma profecia que se auto realizou. Tanto ela achou que a coisa não daria certo que não deu mesmo. E o interessante é que ela nem percebe que foi ela que fez a coisa dar errado, foi sua falta de iniciativa de pelo menos tentar.

Então quanto mais fraco for o senso de auto-eficácia de uma pessoa, menos ela vai enfrentar os problemas e mais estressada ficará. Auto-eficácia é como uma lupa, se você a usar direito você vai usar a lente de aumento e verá tudo de forma mais clara, tudo maior, mas se usar a lupa do lado contrário tudo fica muito difícil de ver. Auto eficaz é a pessoa que vê sua capacidade com a lente de aumento, e olha para os problemas com o lado que diminui.

O estressado já olha os problemas pela lente de aumento, e mesmo sendo problemas pequenos, pra ele, são insolúveis, insuperáveis. Mas mesmo que a pessoa não tenha adquirido este senso naturalmente com a vida, ainda assim é possível desenvolve-lo em terapia.

Esse é um dos pontos que se pode trabalhar em terapia.

2º Otimismo é a expectativa de que aconteçam coisas positivas. Otimismo é um filtro que pinta o mundo de cores bonitas. O pessimismo já filtra o mundo de escuro e aí fica difícil de lidar. O interessante é que o otimismo é um traço de personalidade, ou seja a pessoa nasce mais otimista ou menos otimista, é dela, mas não é por isso que seja impossível desenvolver um pensamento otimista. E é bom ser otimista? Claro. Porque o otimista é mais persistente, como ele acredita que as coisas podem dar certo ele resiste aos obstáculos, e é claro que quem tenta mais, tem mais chance de sucesso. Os otimistas persistem mais em seus esforços pra lidar com seus problemas e com isso ficam menos estressados, apesar de se esforçarem mais, trabalharem mais, se cansam menos, porque ficam menos estressados.
Viram que estresse necessariamente não significa excesso de trabalho. Você pode sim trabalhar muito, realizar muitas coisas e ainda assim não estar estressado. A receita é como você encara a vida e os problemas.

3º O apoio social também é muito importante para pessoa conseguir lidar com as situações de estresse.
E o que a psicologia pode fazer em relação ao apoio social se é uma coisa que está fora da pessoa, e dependo da boa vontade dos outros? A psicologia pode ajudar a pessoa a identificar e desenvolver fontes de apoio, seja na família ou em sua comunidade.


Sintomas do estresse:
Os sintomas psicológicos do stress pode ser: ansiedade, tensão, confusão, irritabilidade, frustração, ira, ressentimento, hipersensibilidade, você fica muito reativo, você passa a ter dificuldade na comunicação com as pessoas, se afasta das pessoas, e o pior, se sente isolado, insatisfeito com o trabalho, com a vida, aparece a fadiga mental, prejuízo do funcionamento intelectual, perda da concentração, da espontaneidade, da criatividade e da auto estima.
Sintomas físicos do stress: Aumento da pressão sanguínea, problemas gastrointestinais, fadiga física, sudorese, problemas de pele, dor de cabeça, distúrbios do sono, etc.